Tumgik
#Pierrot Ruivo
inutilidadeaflorada · 26 days
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O Mundo Gira
Se mede grau e urgência pelo ruído Uma métrica que contempla silêncio como conforto E a sinfônica dos desconcertos urbanos, civilização Atravessar o abandono com duas tempestades nos dedos
Deslizam portas, com ternura Pés se arrastam com cansaço Um evento moderno e intrusivo Idealizar traições pelo som
É um esporte, cílios afiando cortes Toda a matéria orgânica organizada Para pertencer a massa de amido Humedecer as mãos com lágrimas
Pássaros rondam a janela Como se espreitassem vislumbres Pássaros rodam tuas máquinas Como cavalos domesticados em carrosséis
Eis você, desfiando o pudor Colorindoo álibis com cores pastosas Um beijo desalinhado, a argila desta estação Um desejo morre dia sim, dia não
Moldar o soluço para esconder ossadas Barganhar antes de cabeça de peixes Um pomar de flores desdobravéis Antes que seja tarde, aterre o por do sol em mim
Como uma hóstia-tigre passivo-agressiva Amedronta visitas indesejáveis Invejando-as como um novo mundo Gargalhando liberdade enquanto cala a fome
É outra vez, um recorto ébrio Arrancando nomes com delicadeza Apertar o corpo como se fosse um pernil Servir interpretações falhas para o jantar...
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Desanuviar
Já me desfiz das memórias ruins Velhas opiniões, planos e afins Já suspendi meus velhos julgamentos Já explodi em grandes ressentimentos
Resolvi mudar de vida, tentar de novo Me inseri em novos contextos, me reinventei Me abri para as novas possibilidades Estreitei laços, apertei o passo
Uma eterna metamorfose, uma evolução discrepante Ando abraçando delicadezas e expulsando deselegâncias Não careço de opiniões, guarde-as para você Mereço a honestidade de quem me quer bem
Já disseram que sou incrível Já disseram que sou estranho Já disseram que sou hermético E cada vez mais me distancio
Já mandaram eu me calar “Guarde suas ideias para si mesmo” Fui chamado de infiel, salvador da pátria De pseudo-cult, de falso profeta
Cada ferida que em mim sara É mais um tapa de pelica na sua face Nem atos passados nem os que estão por vir Possuem a força necessária para me destruir
Hoje o dia vai ser meu grande aliado Jamais tive a arrogância de me crer finalizado Tenho ainda um longo caminho a trilhar E sigo esperando esse caminho desanuviar
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Memento, Parte II
Ninguém me reconhece mais entre essa esperança Enquanto desvio o peito de adagas Convidando com minha própria língua ao duelo A gentileza antropofágica redimindo exércitos
Tal disparate separa a aparência Entre hospitais e bordéis Bula todas as vezes Refeita entre feridas ególatras
Conciliando com olhos irreconhecíveis O amor não é crível, a paz não é crível Meu cinismo é a matéria que constrói meu fim E meu país já está fadigado de me regurgitar aos seus filhos
Colha-me fruto clandestino Apêndice das perfumarias Arfar placentas inorgânicas Atribular a hesitação ao véu
Ao acaso, desabito estes corpos celestes O momento é calar influências externas Enquanto afoga-se vozes internas Em uma pia testemunhando covardia
A sina cozinha retratos em frigideiras A guerrilha das artérias ensina matrimônio E você sabe que eu evito meus hábitos Para preservar qualquer desinteresse cômico
Há um artigo imprudente Confinando Medusa ao inferno A rosa polida era plano de fundo Para uma corrida sociopolítica da especulação
Obedientemente devolvido Os motivos descarnam o superficial Eu também aproveitei os louros da futilidade Para dançar em praças literárias...
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Herdeiros de uma Juventude Necrófila
Me permita esta vaga introdução: Era preciso romper a função do protagonismo Um lirismo que mais observa do que se atreve Apesar de cada caneta ser uma lupa intrusiva
Estamos aqui para colecionar todas as reinvenções Transtornar a roda em um convexo impossível Flexionar léxicos como quem segue uma rotina Rezando ao pé de gurus amontoados como totens
A máquina lhe assiste assiduamente E prepara textos, derrete ironias Eu sou o mesmo mal que você Apenas mais disposto a ceder revanches
Organizaremos agendas eletrônicas como se fossem túmulos Uma coroa de flores para cada evento desmarcado Zelo saudoso, vício sadio, encontro platônico Beirando uma ansiedade duvidosa ao acolher sintomas
Cada cântico é capaz de soldar países O único motivo para retratar caravelas Era um espírito que se fragmentava De consumações insalubres
A implicância em varrer editais para a sua boca Comê-los, costurá-los, diversificá-los e instruí-los O fruto cítrico tão fadado em combater sua lábia Que se desfaz na dupla que o projeta à fama
Hoje o lobby devora as casas de apostas Não esperamos tantos herdeiros nessa praça Mas a cada jantar insinuado insistem Em preservar atores e condutas passionais
Há um nome rastejado para fora de línguas alcoólicas Atravessam por ele como se fosse um tabuleiro ouija Mistério barganhando a decepção, tensão a cada segundo Espirais suspiram feitiços infanto-juvenis para prever tua vinda
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inutilidadeaflorada · 19 days
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O Discreto Amargado no Fundo da Boca
Voltei para ciranda da tua fala Invadindo a mentira ou solucionando A leitura por entre a texturas dos dedos Demanda uma acidez neutra pela eternidade
Tal dádiva não vale mais ou menos Do que todas as personas que saltam Entre a bifurcação dessas línguas Toda voz faz parte da paisagem de um necrotério
Cada corpo suprimido, performava uma serpente nova Traziam o conflito para o corpo, petrificavam-no, degustavam-no O derretiam, o dividiam, o profetizavam, o desacatariam com furor Para ao final do receituário, junkies inventarem de incendiá-lo
A todo Sísifo que ainda vive As horas mais pesadas aparentam facilidade Em cada beijo uma formiga é engolida De cada amor traiçoeiro, tomará espelhos e Faustos
Seu monólogo é um discurso ensaiado Declarando guerra às rosas sem espinhos Um hospital declaratório perfuma o comício Inventara milagres para cada transe tecido
O futuro é insone e todos o conhecemos Cada história é um encanto de ouvir A presença é um ato vangloriado às multidões A julgam, mas sempre são seduzidos por ela
Atar-se a braços como se barganhasse âncoras Desinventa-se cravos e pecados no divã Toda a sorte dessa desconfiança imatura Prevê tragédias pertinentes no último suspiro
Eu me fiz crer com o argumento do tato Que corpos se reconhecem em camadas São seus os deveres e álibis de pontífices Já toda a luz vence o mistério atrelado a morte
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inutilidadeaflorada · 2 months
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Sujeito Composto/Sujeito Íntimo Secular
Falta muito para voltar a pesar a terra Das presas vis escorrendo uma lágrima translúcida As lágrimas castram sua vasta química Em nome profano de uma substância de êxtase
A prática estabelece a suspensão dos sentidos A prática simula mortes ineficazes Em cada lar dessa terra tropical Elefantes são moldados ao lado da mobília
O movimento é uma síntese dos cavalos O coice a tal coisa chamada amor O corpo transmuta-se viagem Outra vez, esta elegante controvérsia
O trâmite que carrega caravelas Cada sobra desta dor, cada promessa dessa dor É um território inexplorado que forma a América Tão cadavérica por ceiar sob o peso de chacinas
Há sete anos eu dancei com desertos Há sete dias eu refiz meus passos Há sete meses eu inundei palácios Há sete minutos em morri em seus braços
A cada dois dedos de dose nesse copo Ousava fabricar noites americanas O céu cruzado de uma cicatriz Recentemente contemplada
Eu tenho colocado seu nome Em cada bebida que ingeri Em cada carapuça que vesti Em cada perfume que guardei
Todo poeta é orgulhoso Seu critério confessa vaidade Eu pensei que tivesse vencido Naquela vez que sorri sem motivo...
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inutilidadeaflorada · 1 month
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As Traças Famintas Ou Simplesmente Athena
O público devora seus ídolos vivos E ninguém aparece para a missa de sétimo dia Desde então, todos os dias nascidos com urgência Tem sido absorvidos como um vinagre cristalizado
Todos odeiam abutres assistindo vidas e confabulando O que foi? Há muitos corpos para tuas garras? Poupe-se e delegue as funções da pesagem de estatísticas Há muito sangue em suas penas fundidas com petróleo
O organismo-anfitrião chorando lágrimas de cera Perfeccionismo e autodestruição. Implora para a heresia Mas ela não é mais uma força disruptiva deste embate A dicotomia de uma América se desfazendo em cinzas
A casa sempre vence a valsa dos cílios Merci pour ton poison, merci pour ton théâtre Agradeço o esforço da sua arquitetura-fantasia A casa sempre vencerá os infortúnios da estética
O que será de você quando cuspirem a imagem da tua mediocridade? Pães que não valem suas mordidas específicas Costumes tão voltadas as espirais discursivas Tão desejadas pela textura de beijos em superfícies ralas
Espero que a digestão lhe seja breve, meu querido menino-cassino A tragédia mitificada diariamente aos nossos olhos públicos A substancia que escorre dos olhos, um punhado de pólvora siliconada Ao entrar em contato com a pele, saltam criaturas se alimentando da idade
Há um espetáculo irresponsável vagando desgovernado entre nós Hefesto concretiza vieses de laboratórios clandestinos e atos mímicos Qual sua fascinação com as câmeras princesa Daiana Se não o fato que todos odiarem citações erguidas à cigarras
Apontar fantasmas, abatê-los como caça Rapta-los a luz do dia, difama-los em porões Instrumentaliza-los ao inconveniente E por fim, convence-los a aceitar todo rancor e paixão...
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inutilidadeaflorada · 1 month
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E Todos Esses Conhecidos Ancoram a Presença a Tua Imagem
A sarjeta é formada por desejos não superados E cada mistura corrosiva de diesel e perfume Incendiam os braços que correm contra faróis Nem sol, nem Ícaro. Eram os fantasmas da performance
Eis a urgência de um evangelho para ser superado Algo que rivalize mentiras e confunda ritmos Saturada América sobre a tormenta De decupagem dos sonhos flácidos
Separar e distribuir, como um bom publicitário Fluir as apostas de ouro e rubricas Adote para si um estereótipo A cartilha embaraça influência e quadris
A noite pungente derrete ampulhetas Na terra em que talheres são espelhos Conspira-se uma reza que desce dos olhos ao estômago E não importam as contraindicações, desde que todos repitam:
Três uivos no céu de outra boca Um exercício antropofágico Fausto postergado como um rei Em troca de um constrangimento autoral
Afundando ou subestimando o fascínio Toda esta placenta envolvida em um esquife espelhado Girar codinomes e suspeitar de vieses coordenados Eu te apresento cenários vastos, coma dessa espera
Este peito reside um amontoado de línguas Que pulsam um rio que afoga os pulmões Verter todos os sentidos ao paladar e alinhar-se em poleiros Ao travar conflitos com artérias sociopolíticas
Regar feridas com rosas entreabertas E na dubiedade de uma nota colhida Torcer jornais até escorrerem semióticas Vestir palavras de frigoríficos como antologias
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Freaky
As lágrimas mais vulgares e contraditas Formam as estrelas do meu país Meu céu se organiza entre esfolar os dedos Em construções de sonhos hegemônicos com areia
Trazer a fome travada entre os dentes Persuadir reis de suas potentes aparências Quando são frágeis a olho público Sobrepunham mitologias e versículos
A face indigesta e imediata Corrompe-se como pavões A ambição precisa de um receptáculo E a prata da tua saliva fora a escolhida
A tua vinda é um sonho melancólico Entrando, fluindo e adoecendo Cada centímetro do meu espírito Com teu riso de Mercúrio
Todo dia um novo rito é prescrito O eu como moral e inocência Eles rimam faca com deus E juventude com abusos
Sua dor debuta com alegria Agora é um híbrido de Gaia e Saturno Permanentemente soterrado Entre o que convém clamar-se: Cal
Obedecer era fonte de identificação Tais moedas, juras ao crédito Tais lâminas, juras ao Narciso Tais coerções, mentiras
Refira a cartilha como força e zelo Antes que cheguem aqui com bombas, Com danças veladas e cinemas inconsequentes Para amordaçar nossa denúncia com novos espelhos
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inutilidadeaflorada · 1 month
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A Cartilha do Necrotério Ambulante Rima Bulas com Versos
Cravado de inveja eu solto Teus cães-helicópteros sob o passeio amargo O sol corrói intuitos-cassinos que esperam a vigília A cada estrela a mais, uma viela apontada
Não há necessidade de abrir tua boca Como um arquivo-morto de nomes e corpos Cada palavra negada é um rumo que o país evita Dissimular pânico é o mais óbvio a nossa cultura
As academias são institutos de luxo imaterial Tanatopraxistas por esporte e escolha Preferem dissolver tudo em agentes químicos neutros E assim, desgoverna-los a pureza de anjos clássicos
O lar dos guardiões da palavra é uma perfumaria Um evento metódico e desinteressante Nomes para covas exumadas, seu prazer? Fardar-se É um título que prestigia o nada
Foste tu que comeste de minhas mãos Trazendo o mau agouro a esta terra Disseminando açougueiros como enfermeiros Dissolvendo catedrais de músculos e zinco
O sonho impossível é constantemente Barganhado com a miséria Para que ambos encontrem o meio termo E possam entregar obediência à corporações
Essas vozes se sobrepondo umas as outras Fazem um rio que sobe por todo o meu corpo Envelhecem minha pele, me anseiam fora da permuta Tecem uma túnica de poeira e urina envolvendo a cidade
Dançar no fio de uma tragédia E por todos os dias, temê-la Esperando que o fim do mundo Desampare-nos ou compadeça-nos
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Aqui Estou Novamente Rezando Pelos meus Antecessores
Eu fui queimado no altar todas as vezes Acariciaram espinhos de rosas contundentes O primeiro mundo valsando com o fascínio E toda a sua eloquência passivo-violenta
Eu inventei a beleza com espelhos Eu inventei a paz de abóbora Eu inventei a ciência com o pavor Eu inventei a lua com o cinema
Eu fui meu próprio amante Traí todas as minhas palavras Comigo mesmo, em ocasiões passionais Em que precisei desviar as mãos de catedrais
Todas as vezes que olhei para o céu Eu vi a roda derreter e girar ao contrário E com as sobras dos fios de prata, fiz teu nome Assim, a noite esculpira de mim todas as suas criaturas
Viu-se o transbordar de uma cruz suburbana Um dragão mais assertivo que moinhos Com os olhos tensionados e caminhar traiçoeiro Cismando um ouro suspenso, cismando uma revanche
As engrenagens mostram o caminho dos inimigos Vírgilo, não há mais cura em transitar pelos males Oferecendo um safári afrodisíaco e um turismo póstumo Por todas as flores malignas que se originaram do excesso
Tua intenção não revoga tua prática Meu peito é despedida e hospital Cada um desses pecados que me intitulam Urgem num samba prescrevendo sintomas
Toda a devoção é performativa O teu ser é uma perfumaria Capaz de corromper métodos Um filho sem êxito, projetando dilemas...
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inutilidadeaflorada · 13 days
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El Rojo and Blue
Cada vez que te sonho, um riso novo floresce Uma nova cor é desovada de minhas lágrimas Desolado, vago por fissuras entreabertas Pregando o antagonismo que louvamos à Tânatos
Azul marítimo, azul concreto, azul marinha, Azul cristal, azul anoitecido, azul acontecido, Azul fabricado, azul faca, azul castigo, azul fátuo, Azul sociável, azul perecível, azul premeditado, azul inocente
Um riso ofuscado Ainda amante do óbvio Desabando joias de zinco Do teu céu da boca contrabandeado
O futuro é vermelho, mas minha gestação Fora toda gris, por toda a minha primeira infância São ampulhetas e cristais de flúor dissolvidos em meu mergulho A cada corpo sufocado em meus braços, os venenei com Mercúrio
A pólvora neon escarlate Escala meu corpo e colide Contra meus lábios, explodindo ressentimentos Derretidos pelos olhos uma última vez
A corredeira continua Me tira uma valsa e um verso Derrama vestidos, aguça a açucena da saliva Tais momentos atracam ao peito
Na frente daqueles trovões Ordens são premeditações Que a tração não encontra Para domar cavalos selvagens
Tudo que me desperta para longe dessa noite Era o fascínio que o horizonte prometera O peso nos pés de mil anos desfazendo cores Refazendo misturas para um céu púrpura
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Fragmento-Dinâmica
Não há revisão as tuas sutilezas Um parir tênue de tensões O parir de um zoológico em cada gesto Não há tantos olhos assim para esculpir seu subtexto
Verter discursos como corrida de cavalos Cada olhar foste um diário de serpentes A céu aberto lobos dançam com cadeiras E nos convencem que cada rumor não tem sua influência
Tais mobílias coloquiais são objetos desgastados Provações tropicais em quatro cordas bambas Infiltra-se Babilônia por entre o ritmo dos suspiros Em terra sintética, todo silêncio é hostil
E todos valsam a música do anfitrião A duvidar de seus efeitos químicos Como um bom bailarino, atraindo sorrisos Tramando calmaria com sua língua de algodão
Há um ser híbrido que invade a pele Promove coices, confecciona pólvora E no segundo seguinte veste sua carapuça Onde muros e mísseis saltam pelos dentes
Ainda há um personagem que deseja Seus olhos se fragmentam em câmeras Barganham uma lança velada entre o carrossel Ele pôde nos afogar, mas ainda não o fez
A eterna compulsão, minha querida Ambientes que propositalmente prescrevem Ainda há um precipício escondido entre paladares Todo o resto atribuindo ao convencimento
É incondicional e bem regrado A recompensa se constrói em outros ritos A partir dos cavalos saltados, a aposta Desliza-se pela mesa untada de azeite
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inutilidadeaflorada · 12 days
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A Casa que Dante Contribuiu
Transita entre cômodos a esperança Havia um nível de imersão na mitologia Variando entre seringas e costelas Um oásis a memória de elefantes é fundado
Foste visto ente Medusas e intérpretes Confabulando deuses instáveis como animais A mística efêmera custa a crer em austeridade Cada aparição é o desgosto do ethos local
Esta paisagem antisséptica Carregava ossos e cinzas A ancestralidade não proposital Toma para si, feitos inócuos do paladar
Esta pulsão indesejada esteve coexistindo aqui Interpolando visitas e figuras de linguagem Presentes em cada uma das gargantas Que se tingem de encanto
Este país é um hotel bradando virilidade A todo instante em todos os seus personagens atordoados Coexistem eficientemente dentro de um teatro babilônico Onde cada um fragmenta para si seu próprio olimpo-passivo
Imagine você, cirandando bocas Engolindo um mantra constante Proclamado por eletrodomésticos Ressoando os pensamentos da máquina
Cada altar beira precipícios Tais indicativos são: Vampiros desdentados Deixados para agradar hóspedes
É preciso acalma-los ou enfrentá-los Os Cervos que se sucedem ao sacrifício Não tem o mesmo apelo para essa época É preciso encontrar novos deslumbramentos...
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inutilidadeaflorada · 1 month
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Algodões São Países de Todas as Nuvens Infantis
Hoje eu aponto os dedos em dívida A boca é um cárcere que guardo teu nome As torres que se findam nas mãos E toda a amônia convertida em areia
Rastejando pelo céu de carne Cessando heróis fronteiriços Com o infinito despropósito A dor que engolira precipícios
Há um caso que as cruzes não se intimidam E insistem que provar as cores secas Por baixo de cada assento do banquete Este olhar tão esvaziado por naturezas mecânicas
Todas as cabeças de peixe Choram ao lembrar da pele Um adeus ressentido com o vento Dançando um tango no quarto escuro
Gaia sempre alheia, fruto da conquista dos homens Persuadindo com ameaças veladas Adulterando liberdades intransigentes Envenenando rios com o feitiço de sua química
Derrama o amanhecer como natureza morta Um dia tão inócuo, procura razão Nos braços magros de seus credores Ofertando carcaças de cervos abatidos na estrada
Tanatoscopia romântica, escreve sintomas em versos O deslumbre do caleidoscópio é um prato farto de substâncias Evitar a comunhão com o último fator da tristeza Essa gente penará para reconhecer-nos um par
Tal cântico nobre recria sonho sem cores Como um algodão encharcado de devaneios Que ironia, para além da chaga, o próprio tempo Para além de nós, um cinismo sufocando vaidades
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inutilidadeaflorada · 2 months
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motus inopportunus
Meu corpo sacrifica estas quimeras Sufocadas por véus e rigores a mesa Para qualquer máquina sem requisito A casa também verte-se em um órgão
Desta vez, eu encontro espadas Que passam a carne e envolvem os sentidos Derretendo uma perversidade dourada Sobre as frestas íntimas que toda essa independência mostra
Todo abandono é um espetáculo Por si só, performado para ninguém E continuamos gesticulando Como se ainda houvessem ídolos
Para qualquer divindade que já tenha lentamente me esquecido: Estou pronto para encontrar-lhe enquanto desejo E negar da boca para fora com todo o meu fígado Imponha o azar em minha pele, antes que eu a mate em mim
Indeterminado e febril em sua vingança Desenterrando compatriotas Enterrando heróis improváveis Com o conforto do zelo que os esquecerá
Que a terra seja perene Que todo assombro seja um motel Que todo o ritual não seja um deliberado Banquete de natureza morta
Uma errática: Todos nós deveríamos saber Que a especulação é um deus para fora dos hábitos E dentro desse deus o nosso Deus é uma testemunha secular Grafado com fios descascados e perfumado a petróleo
O que é de fora deslumbra-se, enquanto a cera derretida Silenciosamente cria um argumento que os olhos engolem A suposta substância a incerteza do animal ou o dilúvio Para qualquer pratica que se aconchegue ao desprezo
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